6 de agosto de 2011

A grande aventura!

Parámos na cidade de Xi’an a caminho do sul interior da China. Encontramo-nos no centro geográfico da China, uma cidade de 4 milhões na sua maioria muçulmanos. Aqui perto várias atracções turísticas podem ser visitadas. A maioria dos habitantes de Xi’an, dedica-se a produzir algo que lhes dê o seu ganha pão e assim seguem a sua vida. Muitos vendedores por conta própria se veem na base de cada prédio, cabeleireiros, massagens, milhares de restaurantes, vendedores de fruta, de legumes, de carne, de utilidades, de tabaco, enfim… de tudo um pouco! Tudo é negócio nesta China crescente, sendo nós a principal presa para todo o tipo de vendedores, transportadores ou simplesmente amigos do acaso. Também na China de hoje o dinheiro manda e faz as pessoas.


Nós optámos por ir ver os Guerreiros de Terrracota e subir ao Hua Shan, qualquer um destes lugares já tomado pela febre do negócio, da segurança e das multidões. Qualquer um deles, também, impressionante pelo que representam e pelo que são. Um exército de guerreiros construído numa cidade subterrânea imensa de modo a proteger o imperador após sua morte.S1050027 Uma montanha imensa, escarpada de branco e verde onde templos foram erguidos e uma aventura nos esperava. Os dias de Xi’an resumiram-se a um passeio no interior das muralhas da cidade, uma ida aos Guerreiros e outra à montanha Hua. Dos guerreiros trouxemos a consciência do que a loucura de um imperador pode “construir”. Depois de uma hora de autocarro para fora da cidade, chegámos a uma pequena vila feita de vendedores à entrada do espaço fechado onde se encontravam os guerreiros e respectivo museu. Claro que somente após passar por toda a segurança pudemos andar livremente por entre edifícios. Um deles é um museu sobre a arqueologia chinesa, sobre a descoberta do império Terracota e explicação do mesmo. Outros 3 edifícios são as escavações em si, guerreiros, cavalos e alguns restos do IMG_5829que seria a cidade encontram-se preservados dentro de portas e no chão escavados. Inevitavelmente, muita gente neste espaço, muita confusão e pouco tempo e proximidade para poder sentir a história convenientemente. Quanto a Hua Shan (montanha), uma outra história. Á partida seria apenas uma bela montanha repleta de templos de oração Taoista, uma das mais S1050020importantes em todo o mundo. Pelas paisagens que sabíamos existir e pelo passeio que seria, encontrávamo-nos já receptivos à viagem. Ao encontrar um outro João que nos falou na grande aventura que nos esperaria a caminho de um dos picos, eu e o outro, com as vertigens que temos, decidimos que seria um tira-teimas! Assim, arrancámos às 7h de Xi’an, andámos de autocarro 2 horas e por fim chegámos ao sopé da grande Hua. Esperámos pouco mais que uma hora pelo teleférico e lá subimos até meio caminho rumo à nossa aventura. A partir daí fomos subindo a pé pelos vários caminhos já preparados para os turistas, infelizmente o nevoeiro não nos permitiu usufruir das belas vistas mas não desistimos do objectivo. E que objectivo, para dois rapazes com vertigens as imagens que se seguem comprovam o que qualquer um deles sempre achou impossível, a 2000 metros de altitude!


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1 de agosto de 2011

Near the step. close to civilization

Encontrámos isto escrito nos mijatórios masculinos da casa-de-banho numa estação de serviço algures entre Pequim e Xian. O significado é difícil de entender assim como, por vezes, é difícil entender esta sociedade e os seus costumes. A história e a cultura são substancialmente diferentes da nossa e de tal forma existem valores e ideias que nos são estranhos. Para os chineses a intromissão na vida uns dos outros não existe, se um homem está a maltratar uma mulher ninguém pensa se quer em por termo à situação. O pudor é inexistente estando eles completamente à vontade com a nudez e as necessidades higiénicas de cada um. Talvez este à vontade tão grande tenha dado asas a comportamentos menos próprios e higiénicos, daí o aviso lido nas casas de banho.

Deixámos Pequim ao final da tarde. Grande cidade que deixamos para trás com alguma pena e sem termos conseguido visitar tudo o que pretendíamos. Ainda conseguimos ir ao Temple of Heaven, IMG_5477situado no meio da cidade com 243 hectares e muito espaço verde. Diferentes templos de oração, com uma arquitectura muito interessante e uma beleza incrível. Estivemos instalados nos dormitórios da Universidade de Huibe, através do HC. Conseguimos poupar algum dinheiro e acabámos por conhecer estrangeiros que vivem em Pequim faz já alguns anos. Fomos à enorme Muralha da China. Um lugar onde todos somos pequenos, insignificantes e tudo o que podemos imaginar e sonhar parece a um pequeno passo de distância. Certamente, já vimos obras grandiosas com um nível de exigência física para os seus constructores semelhante, mas aqui tudo foi feito no meio do nada… durante milhares de quilómetros. Fomos a uma zona da Muralha que não se encontrava restaurada e segundo alguns avisos estaria fechada ao público. Subimos floresta acima com a sensação que nunca alcançaríamos a muralha, mas quando lá chegámos a vista, a obra e o sentimento foram brutais! Na última noite em Pequim encontramo-nos, uma vez mais, com o Miguel para uma festa em casa de amigos. Conhecemos brasileiros, dinamarqueses, americanos e uma francesa. Muito paleio e descoberta desta China gigante que ainda teremos o prazer de conhecer um pouco mais.

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Agora, rumamos a sul, ao centro geográfico da China. Vamos num meio de transporte novo para nós, o Sleeping Bus. Foi complicado arranjar bilhetes, descobrir a estação e até ela chegar, mas cá estamos deitados e vamos andando a bom ritmo. Desde que saímos de Pequim, ainda não conseguimos ver terra de ninguém ou terreno desaproveitado. Seja com fábricas, cidades, enormes campos cultivados ou enormes publicidades ao Partido, existe sempre alguma coisa produtiva a ocupar o espaço. Assim se faz uma potência. Próxima etapa, Xian.

28 de julho de 2011

Pequim, chinesices e bom pitéu.

Quente como em Portugal por esta altura, húmido como nunca antes tínhamos sentido! Segundo consta por estes lados não é normal esta humidade toda, Pequim é uma cidade seca no Verão mas sempre poluída, calorosa e vivida. Os Chineses são um povo de tradição, vícios, bons de boca e com muita aptidão para o convívio. Temos tido muito sucesso por estas bandas como “Pandas cor-de-rosa”, uma verdadeira atracção para qualquer chinês atento.


Após a chegada algo atribulada, tivemos dias de descanso, turismo de turista e muitos quilómetros galgados quer “a la pata”, metro ou táxi. Já fomos à Praça de Tiananmen e à Velha Pequim onde tivemos encontros vários com pessoas que nos abordavam para os mais diversos esquemas. Sabíamos de quase todos, através de avisos no Hostel, e ainda assim juntamo-nos com dois Chineses de Xangai que visitavam a capital. Foi muito interessante este primeiro contacto com o povo e a cidade. Os nossos amigos do alheio levaram-nos a visitar a farmácia mais antiga, a principal loja da seda e o restaurante mais caro. Contaram-nos muito sobre a China e Pequim, sobre o Partido e o Povo, quiseram conhecer Portugal, os seus hábitos e habitantes. Por fim, levaram-nos a uma casa de chá para beber cerveja (esquema conhecido), a conversa continuou e, por fim, a conta. Cada um paga o seu?! Costumam fazer assim?! Resposta dos 3 “tugas”: Sempre! A não ser que seja aniversário de alguém. Assim ficaram demonstradas as nossas intenções e, também, as deles. Ainda nos quiseram arrastar para o Karaoke (esse então, super esquema conhecido) mas nós tínhamos de ir ao Hostel e conseguimos desmarcar-nos. Conhecemos também a região nova da cidade onde se realizaram os Jogos Olímpicos de 2008. O grande Cubo, o Estádio Olímpico, a torre e a tocha Olímpica. Contudo, em espaços criados para um objectivo específico e temporário, parece que, inevitavelmente, existem sempre algumas zonas com ar de inabitado e não usado. Um espaço público enorme, de grandes passadiços e repletos de pessoas. IMG_5224A segurança é prioridade neste país e de tal forma qualquer entrada para estes espaços requer uma passagem de bagagem por uma máquina de Raios-X e de nós próprios por um detector de metais. Tudo vedado a outros possíveis acessos e sempre, sempre, sempre com câmaras de vigilância. No regresso à cidade as verdadeiras Chinesices! Papagaios com luzes e cores a alturas impressionantes (para além dos normais papagaios com alguns metros de comprimento e constituídos por vários papagaios mais pequenos), karaoke na rua, danças conjuntas de “novos vizinhos”, negócios de todo o tipo e feitio! Os chineses super excitados com as suas máquina, acessórios, variadíssimos petiscos e alguns saltos e poses dignos de verdadeiras acrobacias. Andámos umas 4 horas pela Cidade Proibida onde tudo é enorme, pouco se pode ver e existem muitos e muitos, imensos, chineses dos vários cantos da China. De facto, uma enormidade de área e muitas salas fechadas à passagem de transeuntes, onde apenas se pode espreitar mas se amontoam dezenas de pessoas aos apertos e encontrões! IMG_5285É uma “cidade imperial” imponente e com uma história que se sente e percebe pelos vários “bairros”, jardins e praças, para imperadores e família, eunucos e concubinas. Ao fim de algumas horas, o calor, a humidade, a sede, a fome e os chineses derrotaram-nos e seguimos para o pitéu. Muito e muito bem se come em Pequim (e creio que em toda a China)! E barato! Já experimentámos diferentes tipos de restaurantes, de tascas, de bancas de rua, de coisas excêntricas e até de fast food chinesa. Assistimos ao tocar horário do bombos na Torre dos ditos, oposta à dos Sinos. Ambas guiadas à antiga por um relógio de água fascinante. Tivemos o prazer de conhecer o Miguel (português a viver por cá) e de dar uma entrevista para a Antena1. Visitámos o Lama Temple onde se encontra um dos maiores Buddha do Mundo e onde se encontram as várias nações em torno de uma religião, reinando uma calma diferente no interior de uma enorme cidade. IMG_5424Foi dia de aprender, através de uns olhos (não em bico) mais próximos do que vemos, o que é e como funciona esta República Popular da China. Um país que ainda mantém a política do filho único, com pequenas excepções: filho com deficiência, tentativa de filho homem após primeira filha e viver no campo. Pena? Multa e, geralmente, doação das crianças para adopção, também geralmente, por casais ocidentais. Um país onde o carro surgiu há 15 anos e onde se conduz como se de bicicletas se tratasse. Passadeiras não se respeitam. É deixar andar até quase bater usando buzina e travões. Uma sociedade onde o Partido perdeu a mão na economia, inevitavelmente, mas aperta o cerco a cidadãos e à sua liberdade de pensamento, principalmente. Onde a SIDA e os prostitutos são tabu: ninguém tem, ninguém sabe e ninguém viu. Um povo de mentes brilhantes e cultura aprumada, mas onde o pensamento abstracto, criativo e fora da formatação imposta se revela esmagador. Os novos Chineses denominados os pequenos imperadores, são filhos únicos, mimados e com acesso a todos os novos gadgets tecnológicos. Todo este bom e mau será o nosso futuro? Eles são imensos, andam por aí e a “ameaça” sente-se.


Aproveitámos bem esta cidade, a sua noite de convívio na rua, as suas festas privadas onde fomos intrusos, vícios baratos (especialmente o tabaco e álcool martelado) e muito Karaoke. Muita poluição “visível” no ar pesado da cidade, câmaras de vigilância, segurança apertada e proibições de tirar fotos ao lago(?!). Passeámos durante a noite por avenidas enormes com os habitantes dos Hutongs a viver essas avenidas, as suas vizinhanças e a tentar sair do seu pequeno canto “pouco privado”. Fomos aos subúrbios conhecer um verdadeiro, sujo e mais comum Hutong, onde petiscámos o que de melhor vimos por aqui a um preço de 2€/cabeça. DSC06257DSC06260


Comemos de tudo e por muito pouco, conhecemos os sorrisos e afectuosidade deste povo intelectualmente oprimido e descobrimos uma cidade enorme com muito de tudo um pouco e muito muito de chinesices e chineses. Descobrimos um país com alguma censura, muita imitação mas um povo que se sente ser feliz e dedicado. Possuem uma longa história sem a qual perceber o Mandarim é impossível. Estrada vem do caminho para cavalos, trabalhos de casa utiliza sempre o caracter para mulher e qualquer coisa relacionada com a água tem gotas no seu “desenho”. Um país com 56 etnias, igual número de dialectos (incompreensíveis entre eles) mas onde todos se entendem, quer pela educação, pressão do Partido, controle das pessoas, ou simplesmente a utilização de uma mesma linguagem escrita. Agradecimentos especiais nesta altura, ao André pelas vivências em Pequim, ao Miguel pela sua hospitalidade e ao Rui pela oportunidade da entrevista.

27 de julho de 2011

As fronteiras

Mais uma fronteira que tivemos de atravessar e muitas que ainda virão. Como seria de esperar o tempo que esta pequena travessia pode demorar é sempre algo incalculável, ainda para mais ao sair de um país onde o tempo não se conta. É verdade, na Mongólia não se conta o tempo, algo que aprendemos por experiência própria no meio de tanto quilómetro. Como queríamos poupar dinheiro, optámos por apanhar um comboio até à cidade fronteiriça na Mongólia em vez do comboio internacional directo a Pequim. Ficava a metade do preço demorando cerca de 12 horas mais. A parte do comboio correu muito bem, demorámos 12 horas entre UB e a cidade de Zamin-Uud, o problema veio depois… Por azar ou coincidência, apanhámos um protesto à saída desta cidade que dava para a fronteira com a China (Erliane). Desta feita a nossa única opção, visto os “táxis” para atravessar a fronteira estarem parados, foi esperar. Acabámos por “perder” umas 6 horas onde aproveitámos para comer, fazer contactos e juntar aos dois Joãos um André nesta nossa aventura. Com o desbloquear do protesto de camionistas Mongóis, finalmente pudemos prosseguir viagem e dentro de um jeep fomos os dois Joãos, o André e mais 3 polacos rumo à China. IMG_5147Todo o processo da travessia demorou cerca de 2 ou 3 horas e foi super fluído, sem problemas e com muita expectativa. Chegados à China, o rumo seria Datong. O problema? Transportes. Para este trajecto a nossa única opção, depois dos atrasos vários, seria esperar pelo dia seguinte e tentar um possível comboio ou autocarro. Como os nossos companheiros de viagem estavam decididos a seguir para Pequim no próprio dia, a alternativa foi “alugar” um minibus (uma vez mais) e todos juntos seguir na viagem de 8 horas até Pequim. Ficámos com alguma pena de não visitar Datong mas a ida directa para Pequim permitiu-nos “ganhar” algum tempo. Chegámos às 4h da manhã a Pequim, todos meio a dormir (o que fez com que um par de sapatos voltasse para Erliane no minibus) e, graças ao André, com um lugar para ficar. Directos ao hostel e toca a descansar. Pequim é enorme e muito tem para visitar! Vamos a isso.

26 de julho de 2011

Mongólia–Expedição

Pensámos em nada escrever mas, apesar das imagens valerem mais que as palavras neste país de sensações, algo ficaria por dizer. Estamos agora de arrancada de Ulan Baataar, uma cidade que após as grandes comemorações do Nadam e num sábado cheio de sol, nos pareceu mais bonita e interessante, será o encanto da despedida? Estivemos 10 dias em passeio pelo sul e sudoeste da Mongólia, visitámos vários locais de interesse local e internacional.

Começámos a aventura com um furo! Algo já esperado olhando para o estado do pneu que utilizávamos. O pneu substituto apresentava pior aspecto mas era o único que tínhamos. IMG_4409O macaco era inexistente e a nossa sorte foi o solo macio em que nos encontrávamos. Naturalmente esta situação é muito comum nestas aventuras e apesar das várias “falhas”, Noya (o nosso guia) e Ganbat (o nosso motorista) nem estremeceram. A atitude dos Mongóis revelou-se, para nós, um misto de um desleixe relaxado, uma despreocupação profissional e uma preguiça generalizada. IMG_4921Este povo, que ainda sofre com a ocupação chinesa, tem a certeza que desses vizinhos nada quer e tudo é mau. Dessa forma, adoptaram o cirílico como  escrita oficial deixando cair em desuso os seus belos traços árabes e a orientação chinesa. Adoptaram essa escrita como forma de afirmação e ligação a uma Rússia decadente. Não aceitam a filosofia de desenvolvimento chinesa, preferindo o estagnar russo que viemos observando à medida que avançámos cada vez mais por essa Rússia adentro. Desta feita, a cidade de Ulan Baataar apresenta-se como uma capital que cresce mas não se desenvolve, em que os prédios nascem mas não se usam e onde as regras não existem a não ser a do salve-se quem puder (sempre a buzinar). Parece que ninguém quer trabalhar (muito) a não ser no turismo e, mesmo no turismo, a lei do menor esforço com alguns lucros é que reina. Este comportamento é também uma forma de protecção das raízes e costumes Mongóis, uma forma de afirmação do que é ser nómada, guerreiro e livre. Preferível o semi-estagnar Russo ao super-desenvolvimento Chinês. Como povo, veem o futuro no que o país tem para mostrar! Uma imensidão de terra, com pessoas genuínas a viverem nos seus Gers com as suas tradições e os seus rituais. Famílias nómadas com um painel fotovoltaico, um plasma e parabólica onde a mãe pede ao filho um favor e este, colado na televisão, imediatamente acode ao pedido sem um já vai ou vai já. Galgámos quilómetros e quilómetros, vimos paisagens que vão desde o mais seco e árido ao mais vivo e verde (ver post anterior). IMG_4542Certamente muito nos falta deste país maravilhoso mas em termos de pessoas, estilos de vida e gastronomia, creio que conseguimos “recolher” um bom bocado de tudo. Começámos por falésias, de rocha, coloridas ou “dos dinossauros”, que nascem e morrem no meio de enormes estepes, ora num verde vivo, ora num castanho seco. Acampámos e comemos em lugares onde ver ao mesmo tempo o pôr-do-sol e o nascer da lua foi-nos possível. Respirámos o mais puro dos “ares”, sentimos os melhores (e os piores, inclusive o nosso) dos cheiros e vimos a mais bela das luzes estampada nas montanhas, montes e dunas. Fomos a um parque natural onde o gelo ainda persiste em meados de Julho, outro onde uma cascata de 20 metros dá origem a um enorme rio cavado no meio de planícies que ligam montanhas e fomos, também, à maior duna de areia da Mongólia. Custou mas chegámos ao cume!

IMG_4838IMG_4823A nossa expedição concentrava-se no Deserto do Gobi mas que, na realidade, é mais que um deserto. É de facto uma zona seca, com pouca ou nenhuma gente, mas que não é composto apenas por areia. Vimos e vivemos vários cenários, com várias companhias e sempre com uma sensação de unicidade impressionante. Durante este tempo tivemos a companhia do Noya, Ganbat, Mohammad, Rita e mais dois penetras durante 3 dias. Ao sairmos para a expedição já sabíamos que o casal Iraniano IMG_4715nos deixaria ao fim de 6 dias, o que não sabíamos é que iríamos dar boleia a um sul-coreano com a sua concubina mongol até que os “expulsássemos”. Na realidade, apenas lhes pedimos um valor (sugerido por eles) algo exorbitante (lançado por nós) para que pudessem terminar connosco o trajecto. Talvez não tivesse sido a mais inocente das atitudes, mas o convívio com este casal verificou-se nulo durante o tempo que não existiu e dessa forma seria apenas menos espaço que teríamos na carrinha até final da expedição. Por outro lado, uma vez mais o convívio com Mohammad e Rita foi impecável. Muita partilha, histórias de viagens, negócios possíveis, assuntos passados e futuros. Duas pessoas que já marcam esta viagem, assim como G-Shock Im. Companheiros de aventuras dentro desta aventura. Descobrimos a flora e fauna da Mongólia, a “sua” admiração pelos cavalos e um número incrível de gafanhotos, sapos ou falcões, dependendo da zona onde andávamos. Um monumento imenso em homenagem aos cavalos de corrida, aparentemente no meio de nenhures e ao qual acorreram uma vintena de pessoas nos 15 minutos que por lá andámos. IMG_4885Vimos saltar-nos aos pés milhares ou milhões de gafanhotos enquanto passeávamos a pé pelos vastos campos, montanhas ou desertos. Sobrevoaram sobre as nossas cabeças falcões como nunca antes tínhamos visto. Chegaram a ser 15 por cima de nós! Para além destes animais que se tornaram vulgares, pudemos observar águias, cabras, cavalos selvagens, camelos, veados, ratos do campo e marmotas. Nada de especial quando comparado com o Norte, segundo nos disseram. Foi uma experiência única mas não irrepetível. Queremos voltar! Talvez ainda demore uns anos, talvez numa outra estação e com outra preparação, mas voltaremos! Dos vários espaços e momentos, destacamos uma cavalgada no parque natural das cascatas, onde conseguimos tomar um belo banho natural (após 7 dias de pó e mais pó), usufruir da paisagem e passar dois dias a descansar. Comemos sempre bem, quer em “restaurantes” quer refeições cozinhadas pelo Noya. Descansámos sem pressas e respirámos fundo vezes sem conta de modo a encher os pulmões com o que víamos e sentíamos. IMG_4530Como não podia deixar de ser, mais um furo no penúltimo dia e um outro no último dia, 20 minutos depois do pneu ter sido arranjado. Sorte, azar, destino, superstição? Segundo os mongóis, os cavalos fazem a viagem e as orações em torno de locais próprios à beira da estrada são fundamentais. Talvez o não termos partilhado esse sentimento e essa crença? Talvez simplesmente a preguiça Mongol para ter bons pneus e permitir este charme aventureiro?

Foi uma experiência inigualável e que já deixa saudades na partida para a fronteira chinesa. Saímos de Ulan Baataar às 20h e chegaremos pela manhã à cidade fronteiriça de entrada na China. Ficaremos por Datong antes de rumar a Pequim. Adeus Mongólia, até ao nosso regresso.

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10 Dias, 9 Noites

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