14 de agosto de 2011

In the midle of the Laos

Vientiane, um nome que pela semelhança a Vietnam e todas as vogais pelo meio se verificou bastante difícil de entrar na cabeça. Sendo a capital do Laos, desenvolvida nas margens do Rio Mekong (à semelhança de Luang Prabang, (na foto) IMG_6166tem cerca de 750mil habitantes, pequena mas movimentada. Encontram-se turistas residentes, turistas de passagem, muito turista e lugar para o turista. Turismo de rico e turismo de pobre. Saindo para o campo, a estranheza aumenta perante a nossa presença mas lá vem sempre alguém que fala inglês, que é capaz de interagir connosco e assim tentar sempre agradar e partilhar, tentando, quase sempre também, fazer o seu pequeno negócio. A cidade vê-se rápido e acaba por ser uma capital de um mundo rural, poucas empresas, indústrias ou investimento, muito turismo e agricultura. Incrível como a parte do turismo sexual é algo facilmente perceptível e ostentado. Deve ser o único “motor económico” com dinâmica por aqui, infelizmente. Aos comandos de uma Kolao, Rio160 aventurámo-nos pelas estradas e estradinhas em torno da cidade. Primeiro dia partimos sem rumo, fazendo quilómetros, virando aqui e ali, ficando perdidos paraIMG_6279 logo nos encontrarmos. Muito fácil quando mesmo nas zonas mais remotas em redor da cidade existe sempre um laociano que fala inglês. Vimos muitas paisagens, arrozais, pequenas aldeias cheias de gente. Gente essa que vive dos campos, do verde e dos seus frutos. Todas estas pequenas aldeias rurais são lugares calmos, onde o tempo tem outro passar, onde tudo se faz quando se faz. Nestas voltas de moto os 5 sentidos apuram-se e oIMG_6335 viajar torna-se diferente. Na realidade, dificilmente se chega ao destino se este existir. Mapas existem, indicações com nomes também, mas dificilmente se chega lá! Pelo menos quando resolvemos ter um destino, verificámos que a a ligação dos laocianos ao mapa é como a dos mongóis ao tempo. Divertimo-nos, sentimos e vivemos a selva, asIMG_6401 montanhas e os caminhos do Laos. Cruzámo-nos com laocianos no seu vai e vem diário pelas mesmas estradas e lamaçais que nós achamos divertidos. Certamente para eles um mal inevitável mas nada prazeroso. Sentimos através do seu olhar um desejo e um congratular, de sermos nós e por estarmos ali. Agora vamos continuar a descer, ao longo do Mekong rumo ao delta. Vamos arriscar uma vez mais um autocarro laociano, reticentes quanto à realidade de um sleeping bus mas esperançosos que com menos paragens que a última viagem.

O povo do Laos

Com um cacho de bananas de um lado e um “fruto-espécie” tipo melão de outro, encontrámo-nos algures entre Luang Prabang e Vientiane, atolados em lama sem solução à vista. Foi uma viagem atribulada pois após resolver esta situação do atolanço (5 horas depois) lá seguimos viagem até ser dia. Infelizmente a gasolina falhou e lá tivemos de parar mais uma vez. Por fim, parámos uma terceira vez, já a 50 km de Vientiane. Desta feita, fomos almoçar, pois eram já meio-dia e tínhamos 8 horas de atraso… tínhamo-nos preparado para apenas 9 horas de viagem.  Passo seguinte foi arranjar uma boleia e, finalmente, chegar ao destino, Vientiane.

Ainda uns dias antes tínhamos chegado a Luang Prabang, a tempo e horas, num Sleeping Bus vindo da China, comprovando mais uma vez que este é o melhor transporte para viajar nestas bandas. Saindo da China cheia de pujança e produtividade e entrando no Laos, país rural e com o seu próprio ritmo, IMG_6118após umas horas a subir e descer montanhas, deparámo-nos com um verde inexplicável, tons e brilhos, misturados com diferentes formas e intensidades formam uma paisagem incrível. Pelo caminho, descobrimos uma montanha composta por pequenas aldeias (muito pequenas) que se formam aqui e ali quando a estrada passa. Cruzámo-nos com muitas pessoas, todas elas economicamente pobres mas com um sorriso na cara e uma felicidade radiante. A estadia em Luang Prabang teve como ponto alto  o encontro com a Renata e a Joana. Amigas de encontros e desencontros da vida, conhecidas por intermédio de outrem e que se IMG_6133encontravam no meio da Ásia, Dar de caras com caras familiares é sempre uma agradável surpresa. Estávamos há uma noite e um dia em Luang Prabang. Depois de uma noitada de pseudo-bowling acordámos a horas de descanso e arrancámos para uma volta de cura. Ao final do dia encontrámo-nos com as manas Borges, acabadas de aterrar vindas do Cambodja. Foi uma estupefacção de longo processamento mas como bom grupo de portugueses, lá fomos para a mesa colocar a conversa em dia e fazer as apresentações necessárias. Passaram-se dois dias em Luang Prabang, IMG_6250cidade fofinha, pessoas fofinhas e assentos de moto pouco fofinhos. Foram momentos bem passados, em muito boa companhia, bons passeios, bons  petiscos, bom cruzamento de tempo e espaço, onde o nosso tempo foi sempre uma hora a mais que o delas. Demos uma pequena volta em redor da cidade, fomos até às cascatas onde pudemos tomar um grande banho e verificámos a condição deste povo. Agricultor na sua maioria e que vive IMG_6260em pequenas aldeias ao longo das estradas ao subir a montanha. Famílias grandes, com muitos jovens e onde a meia idade parece estar pela cidade onde acontecem os negócios. Muito turismo e muito boa preparação para os turistas. Os restaurantes existem para nós, pois já lá vai o país onde todos comiam na rua, rápido, sem pausas nem conversas. É um povo acolhedor, pobre e que tem sempre no turista um ganha-pão. Não aparentam qualquer maldade nas atitudes, são compreensivos e tentam sempre ajudar. Passaremos agora para a capital do Laos, depois dos dias de passeio e da viagem atribulada. Mais aventuras nos esperam certamente.

12 de agosto de 2011

Kunming, Xau xau

Depois da aventura nos comboios, chegámos a uma outra cidade capital da província de Yunnan. A  ideia era tentar dar uma volta até Lijiang e Dali, vilas a norte desta cidade com 11 milhões de pessoas. Seriam necessários pelo menos 3 dias e já assustados com tudo o que é “pequena” cidade chinesa, resolvemos não sair do centro da cidade e por vezes mesmo do Hostel. Foi descanso, boa comida e demos por nós a caminho do Laos.

6 de agosto de 2011

A China e os seus comboios.

Que melhor forma de deixar uma cidade e preparar uma viagem de comboio que durará 36 horas que num “restaurante”. Depois de apanhar as mochilas no hostel, passámos nos vizinhos muçulmanos e atulhámo-nos de comida para essa aventura.  Sim, andar num comboio de longo curso na China é uma verdadeira aventura, louca, desumana e preocupantemente comum. Felizmente arranjámos lugar sentado pois é norma vender lugares em pé, independentemente do espaço que exista no comboio ou do tempo que a viagem demore. Sentámo-nos nos respectivos e imediatamente sentimos o que iria ser esta viagem, muita gente, muito barulho e pouco respeito. Apesar de toda a educação comunitária vivida na China, a formatação das pessoas, a prisão a uma visão em nada aberta e o imenso mar de gente, leva a que as pessoas vivam a sua liberdade até onde termina a dos outros. Muito bonito, quando os outros não nos apertam e tiram o espaço a cada distracção, onde não somos constantemente pressionados para algo ou estamos a lidar com comboios lotados. Em primeiro lugar está a família, nada mais importante para um chinês. Depois os amigos e conhecidos, sendo que para estes o tratamento é já diferente e menos preocupado. Quando se fala de estranhos num comboio, não há regras nem lei. Cada um por si, com a sua liberdade e sem chatear a dos outros (que verdade seja dita, nunca se chateiam ou apontam seja o que for). Perde-se a noção do que é liberdade e falta de educação, o que é correcto ou matreirice e tentativa de aproveitamento. IMG_5986Veem-se pessoas atropelar outras sem um olhar para trás, fuma-se onde é proibido sem que ninguém diga nada, “magoam-se” uns, aos olhos dos outros. Não temos nada a apontar acerca da hospitalidade, carinho e afecto que recebemos deste povo. São hábitos e adaptações que nos custam aceitar, devido também à nossa formatação. Os viajantes de pé acabam por se sentar onde podem espalhados pelo chão do comboio. São constantemente interrompidos do seu pseudo-sono pelos carrinhos de comida e vendedores de tudo o que é chinesice. Em partes do comIMG_5993boio o lixo acumula-se no chão, as pessoas cospem, também, para o chão e, depois, nele se deitam famílias inteiras à procura de um canto para fazer a viagem. Não param de se vender bilhetes independentemente das condições oferecidas ou da lotação do comboio. Posteriormente vendem-se bancos a quem quiser sentar-se aqui e ali, quebra-cabeças para passar o tempo, anéis de humor para constatar os factos, espelhos para os mais vaidosos… tudo é negócio. Um negócio que começa e acaba sem escrúpulos. O único reparo que ouvimos foi o facto de pendurar sacos de plástico com comida nos cabides para casacos (?!?), de resto tudo é permitido, desde que não interfira com a liberdade do próximo.

Estamos agora a caminho de Kunming, num comboio que leva 36 horas a chegar ao nosso destino. Felizmente temos lugares sentados apesar de ser muito difícil dormir com todo este calor, todo este desconforto e todas estas situações que nos rodeiam e incomodam. É difícil entender esta sociedade assim como o é tentar retracta-la por palavras. As mudanças têm sido muitas e cremos que as mentalidades que sempre foram formatadas e ensinadas a pensar, não conseguem agora libertar-se desse modo de ser. Na Rússia as infrastructuras caíram em decadência permanecendo o rigor dos comportamentos, na China as infrastructuras desenvolvem-se mas os comportamentos desadequam-se.

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Á parte deste desconforto, a visão através da janela do comboio é impressionante. Já passámos por vales enormes rodeados por montanhas verdejantes e cultivadas. Rios amarelos que percorrem os vales aparecendo e desaparecendo à medida que passamos mais um túnel. Campos de arroz enormes, campos de cultivo, campos de pessoas a que chamam de cidades. Tudo isto numa longa viagem de 36 horas.

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A grande aventura!

Parámos na cidade de Xi’an a caminho do sul interior da China. Encontramo-nos no centro geográfico da China, uma cidade de 4 milhões na sua maioria muçulmanos. Aqui perto várias atracções turísticas podem ser visitadas. A maioria dos habitantes de Xi’an, dedica-se a produzir algo que lhes dê o seu ganha pão e assim seguem a sua vida. Muitos vendedores por conta própria se veem na base de cada prédio, cabeleireiros, massagens, milhares de restaurantes, vendedores de fruta, de legumes, de carne, de utilidades, de tabaco, enfim… de tudo um pouco! Tudo é negócio nesta China crescente, sendo nós a principal presa para todo o tipo de vendedores, transportadores ou simplesmente amigos do acaso. Também na China de hoje o dinheiro manda e faz as pessoas.


Nós optámos por ir ver os Guerreiros de Terrracota e subir ao Hua Shan, qualquer um destes lugares já tomado pela febre do negócio, da segurança e das multidões. Qualquer um deles, também, impressionante pelo que representam e pelo que são. Um exército de guerreiros construído numa cidade subterrânea imensa de modo a proteger o imperador após sua morte.S1050027 Uma montanha imensa, escarpada de branco e verde onde templos foram erguidos e uma aventura nos esperava. Os dias de Xi’an resumiram-se a um passeio no interior das muralhas da cidade, uma ida aos Guerreiros e outra à montanha Hua. Dos guerreiros trouxemos a consciência do que a loucura de um imperador pode “construir”. Depois de uma hora de autocarro para fora da cidade, chegámos a uma pequena vila feita de vendedores à entrada do espaço fechado onde se encontravam os guerreiros e respectivo museu. Claro que somente após passar por toda a segurança pudemos andar livremente por entre edifícios. Um deles é um museu sobre a arqueologia chinesa, sobre a descoberta do império Terracota e explicação do mesmo. Outros 3 edifícios são as escavações em si, guerreiros, cavalos e alguns restos do IMG_5829que seria a cidade encontram-se preservados dentro de portas e no chão escavados. Inevitavelmente, muita gente neste espaço, muita confusão e pouco tempo e proximidade para poder sentir a história convenientemente. Quanto a Hua Shan (montanha), uma outra história. Á partida seria apenas uma bela montanha repleta de templos de oração Taoista, uma das mais S1050020importantes em todo o mundo. Pelas paisagens que sabíamos existir e pelo passeio que seria, encontrávamo-nos já receptivos à viagem. Ao encontrar um outro João que nos falou na grande aventura que nos esperaria a caminho de um dos picos, eu e o outro, com as vertigens que temos, decidimos que seria um tira-teimas! Assim, arrancámos às 7h de Xi’an, andámos de autocarro 2 horas e por fim chegámos ao sopé da grande Hua. Esperámos pouco mais que uma hora pelo teleférico e lá subimos até meio caminho rumo à nossa aventura. A partir daí fomos subindo a pé pelos vários caminhos já preparados para os turistas, infelizmente o nevoeiro não nos permitiu usufruir das belas vistas mas não desistimos do objectivo. E que objectivo, para dois rapazes com vertigens as imagens que se seguem comprovam o que qualquer um deles sempre achou impossível, a 2000 metros de altitude!


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1 de agosto de 2011

Near the step. close to civilization

Encontrámos isto escrito nos mijatórios masculinos da casa-de-banho numa estação de serviço algures entre Pequim e Xian. O significado é difícil de entender assim como, por vezes, é difícil entender esta sociedade e os seus costumes. A história e a cultura são substancialmente diferentes da nossa e de tal forma existem valores e ideias que nos são estranhos. Para os chineses a intromissão na vida uns dos outros não existe, se um homem está a maltratar uma mulher ninguém pensa se quer em por termo à situação. O pudor é inexistente estando eles completamente à vontade com a nudez e as necessidades higiénicas de cada um. Talvez este à vontade tão grande tenha dado asas a comportamentos menos próprios e higiénicos, daí o aviso lido nas casas de banho.

Deixámos Pequim ao final da tarde. Grande cidade que deixamos para trás com alguma pena e sem termos conseguido visitar tudo o que pretendíamos. Ainda conseguimos ir ao Temple of Heaven, IMG_5477situado no meio da cidade com 243 hectares e muito espaço verde. Diferentes templos de oração, com uma arquitectura muito interessante e uma beleza incrível. Estivemos instalados nos dormitórios da Universidade de Huibe, através do HC. Conseguimos poupar algum dinheiro e acabámos por conhecer estrangeiros que vivem em Pequim faz já alguns anos. Fomos à enorme Muralha da China. Um lugar onde todos somos pequenos, insignificantes e tudo o que podemos imaginar e sonhar parece a um pequeno passo de distância. Certamente, já vimos obras grandiosas com um nível de exigência física para os seus constructores semelhante, mas aqui tudo foi feito no meio do nada… durante milhares de quilómetros. Fomos a uma zona da Muralha que não se encontrava restaurada e segundo alguns avisos estaria fechada ao público. Subimos floresta acima com a sensação que nunca alcançaríamos a muralha, mas quando lá chegámos a vista, a obra e o sentimento foram brutais! Na última noite em Pequim encontramo-nos, uma vez mais, com o Miguel para uma festa em casa de amigos. Conhecemos brasileiros, dinamarqueses, americanos e uma francesa. Muito paleio e descoberta desta China gigante que ainda teremos o prazer de conhecer um pouco mais.

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Agora, rumamos a sul, ao centro geográfico da China. Vamos num meio de transporte novo para nós, o Sleeping Bus. Foi complicado arranjar bilhetes, descobrir a estação e até ela chegar, mas cá estamos deitados e vamos andando a bom ritmo. Desde que saímos de Pequim, ainda não conseguimos ver terra de ninguém ou terreno desaproveitado. Seja com fábricas, cidades, enormes campos cultivados ou enormes publicidades ao Partido, existe sempre alguma coisa produtiva a ocupar o espaço. Assim se faz uma potência. Próxima etapa, Xian.